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Pátria das Chuteiras: da Era Vargas à Era Dilma

Lu Castro - Publicado em 06/01/2011 16:01

Categoria: Esporte & Lazer
Contexto: Política, Economia & Negócios, Comportamento

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A Era Vargas ficou marcada de muitas formas, uma delas foi o voto das mulheres, conquistado por Lei. Não sabemos ainda se haverá uma Era Dilma, mas se houver, ela começou hoje. Lu de Castro, que estréia como colunista em O Mundo dá Bola pra Mulher, volta ao tempo para mostrar leis brasileiras esdrúxulas que impediram a mulher, durante décadas, de fazer muitas coisas, inclusive jogar bola. O Mundo dá Bola pra Mulher abre as janelas para esta nova era.  

 

Ser mulher no Brasil nunca foi fácil. Mesmo em pleno século XXI, as mulheres enfrentam diferenças de tratamento e disparidade quando o assunto é salário, que espantaria os mais otimistas em relação às conquistas femininas no século XX.

 

A suposta fragilidade foi logo substituída pela voracidade com que as mulheres passaram a brigar por seus direitos e pelo que consideravam justo.

 

No campo de futebol a situação não era diferente. Adotado como esporte de “macho” por brasileiros, o futebol era assunto proibido para as moças na década de 1940. Muita água passou por debaixo da ponte até os dias de hoje, quando nossas meninas calçam suas chuteiras e entram em campo. Ainda em condições bem distintas quanto a salários e condições de trabalho, a mulher brasileira (assim como a sulamericana) busca seu espaço e a sua devida valorização.

 

Se na Era Vargas, a mulher conquistou o direito ao voto, o mesmo não se aplicou aos esportes, e algumas modalidades foram devidamente proibidas em leis apoiadas em “desculpas” biológicas no mínimo esdrúxulas.

 

O Decreto-Lei 3.199/41, em seu artigo 54 dizia o seguinte: “Às mulheres não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza, devendo para esse efeito o Conselho Nacional dos Desportos baixar as necessárias instruções às entidades desportivas do país…”

 


Em 1965, o CND – Conselho Nacional dos Desportos, proibiu às mulheres, a prática de algumas modalidades esportivas, dentre elas, o futebol de campo, de salão, de areia, pólo, halterofolismo e lutas. Os argumentos usados para defender tais proibições, eram as condições biológicas e fisiológicas das mulheres e as atividades liberadas, eram indicadas de acordo com essas informações.

 

Somente em 1979, o CND revogou a deliberação 7/65 e a substituiu pela 10/79, onde concedia às mulheres o direito de praticar as modalidades que lhes foram proibidas. O reconhecimento oficial, por parte do CND, só veio em 1983, mais exatamente no dia 25 de março.

 

O futebol feminino era um esporte, poderia ser praticado, mas com algumas mudanças, como a duração das partidas, que teriam 70 minutos, com 15 a 20 minutos de intervalo. O diâmetro da bola variaria de 62 a 66 centímetros e deveria pesar no máximo 390 gramas. As chuteiras deveriam ter travas metálicas ou pontiagudas e, pasmem, as jogadoras não poderiam trocar a camisa após os jogos.

 

Em vez de flores, a CBF dava a proibição de jogarem em campos oficiais


Assim, nem tudo eram flores para nossas jogadoras de futebol de campo, pois a CBF proibia a utilização dos estádios oficiais para os jogos das meninas. Qual a razão? Uma pergunta que ficou em aberto até que, hoje, este acinte não existe mais.

 

A advogada Zulaiê Cobra Ribeiro, paulistana, formada pela PUC/SP, foi uma das mulheres que comprou a briga pelo futebol feminino, tendo defendido a causa a pedido de Rose do Rio (a primeira técnica de futebol do Brasil) e vencido a CBF em última instância.

 

Roseli Cordeiro Filardo, nasceu em Curitiba e começou a jogar futebol aos 15 anos. Foi a que mais batalhou (e continua na lida) pelos direitos da mulher atleta, fazendo corpo a corpo com os homens responsáveis pelo futebol brasileiro. É presidente e fundadora da Associação de Futebol Feminino do Rio de Janeiro e é formada em Direito.

 

Leia na sequência a este artigo: “Hora de o gênero entrar em campo” por Luís Peazê

 

Leia também três artigos de Lu Castro sobre o mundo da bola pra mulher, outros veículos

 

Em 2007, ainda apenas Secretário de Turismo, Esporte e Lazer, o atual Prefeito do Rio, hoje com todo o poder das Olimpíadas nas mãos, acenava com dribles que desafiavam qualquer entrave para o futuro próximo do futebol feminino, ou, na pior das hipóteses, da inserção do gênero no cenário esportivo:

 

 
Rio pode ter campeonato de futebol feminino em 2008
25/09/2007 - 15h26
Há grandes chances do Rio de Janeiro ganhar um campeonato de futebol feminino no ano que vem. A possibilidade foi acenada pelo secretário estadual de Turismo, Esporte e Lazer, Eduardo Paes, durante audiência pública realizada na última segunda-feira, 24/09, na Assembléia Legislativa do Rio (Alerj), sobre o tema "Futebol Feminino: Driblando os Desafios".
- Podemos amarrar isso com a Federação, porque existe uma possibilidade enorme de redução de custos. Esse campeonato poderia ser realizado em paralelo ao campeonato estadual masculino, com todos os jogos ocorrendo como preliminar no Maracanã, por exemplo. O custo seria nenhum – explica o secretário.
Para Roseli Cordeiro Filardo, ex-jogadora e presidente da Liga Brasileira de Futebol Feminino, conhecida como "Rose do Rio", um primeiro passo seria que os departamentos femininos tanto da CBF quanto da Federação, de fato, funcionassem. "Que tenham vida, que expressem a realidade e o respeito ao futebol feminino para a organização de calendários e competições de todas as faixas etárias", cobrou ela.
O secretário Eduardo Paes se comprometeu a cobrar da Federação uma definição sobre os representantes oficiais da modalidade no Rio.
Além de Paes, estiveram presentes a deputada estadual Inês Pandeló (PT), idealizadora da iniciativa, representantes do ministério dos Esportes e da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, associações ligadas ao futebol feminino e diversas atletas. http://www.suderj.rj.gov.br/detalhe_noticia.asp?ident=29

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