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Jornalismo - Negócios - Literatura
A bienal do livro da sala da imprensa
Por Luís Peazê publicado em 13/08/2010 18:40

Óbvio que o melhor é conhecer a Bienal Internacional do Livro 2010 de São Paulo pessoalmente, flanando pelos corredores, entre os estandes, assistindo ao vivo a programação, vivenciado a atmosfera e, com sorte, comprando livros. Mas, quem não pode, desfruta de informações divulgadas pela imprensa e para isso a organização do evento investe boa parcela de seu orçamento contratando assessoria de imprensa e em infra-estrutura, como se vê na foto ao lado. Mas funciona?

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Foto: Eduardo Enomoto

Essa pergunta surge acidentalmente de vários ângulos, se debulhando em mais perguntas: o índice de leitura de livros no Brasil é muito baixo, 1,8 livros por habitante ano, então o papel da imprensa é fundamental para estimular o aumento deste índice, não é? Inclusive para que mais leitores se interessem por ler notícias também... O mercado de livros não movimenta apenas grande soma em dinheiro, mobiliza uma cadeia produtiva que vai desde o manejo de florestas plantadas, à produção de celulose, de papéis, à indústria gráfica (com toda a sua cadeia própria de insumos e suprimentos), à logística (transporte e comunicação de dados), às editoras, distribuidores, livrarias, escritores e profissionais do livro (de várias áreas), envolve a educação e o sistema de ensino do país em todos os níveis, toca fundo no intelecto e cultura da sociedade em geral, assim como alimenta editorias (não só de cultura) dos jornais impressos, televisivos, de rádios e online. Sem falar que esta edição da Bienal tem a novidade retumbante dos livros digitais e tudo o que ela traz a cabresto. Então, novamente, a cobertura da imprensa é fundamental, daí não ser nada demais uma infra-estrutura para a imprensa como a relatada a seguir, vista parcialmente nas fotos desta matéria. No entanto, está a imprensa dando a atenção que a sociedade demanda, ou precisa, pela sua importância como relembrada anteriormente?

Desperdício de aparato

A sala de imprensa da Bienal do Livro 2010 ocupa 264 m2 do centro de exposições do Anhembi, divididos nos seguintes espaços: credenciamento, hospitaly center com água, cafezinho e lanchinho franqueados aos jornalistas, e exposição de material de divulgação dos expositores, a sala de imprensa propriamente dita, com 36 estações de computadores ligados à Internet de banda larga, impressora e extensa área para acomodação e uso de notebooks, e, por fim, a sala da assessoria de imprensa da própria Bienal, entregue à Ricardo Viveiros & Associados. Durante os onze dias de duração do evento, utilizarão este aparato, em torno de duas centenas de profissionais: da assessoria de imprensa da organização aos assessores dos expositores, e destes aos jornalistas de veículos, incluindo fotojornalistas e equipes de câmeras.

É de se imaginar que os jornais sejam tomados por matérias sobre livros, contextualizando aqueles segmentos. Estão sendo tomados? Não. Por que?

Mais uma pergunta que salta deste cenário real, descrito ao vivo de dentro dele mesmo, isto é, da sala de imprensa da Bienal do Livro, é: esses profissionais que estão sentados a frente desses computadores, digitando sabe-se lá o que sobre o que viram, quem entrevistaram, o que lhes chamou mais a atenção neste primeiro dia de Bienal do Livro, terão o resultado de seu trabalho publicado?

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Foto: Eduardo Enomoto

Talvez os editores e chefes de redação entendam que livro não vende jornal, não atrai audiência. Não tendo matéria de jornal sobre esse mundo revelado por uma Bienal do Livro não há audiência e, assim, o público nunca será avisado com a atenção que deveria de que é importante ler livros, daí um círculo vicioso de atrofia. E tampouco parece que o jornalismo está dando importância ao universo que um livro compreende, econômico, social, cultural.

Na cerimônia de abertura o governador de São Paulo utilizou uma frase de efeito que contém sentidos ambivalentes. Disse ele, que discorda de Mallarmé, em que a vida foi feita para acabar em livro, segundo o governador tudo começa em um livro; “acaba”, no sentido de terminar, não existir mais, e “começa”, inferindo que ainda está por existir, está por começar...

De qualquer modo, o que se vê nesta bienal a partir da sala de imprensa é sem dúvida uma bruta subutilização de um enorme aparato, parte de R$30 milhões, segundo resumo de números fornecido em kit para a imprensa. Está tudo à disposição do exercício do jornalismo não necessariamente apenas literário, nem tampouco somente livreiro, no entanto fica a impressão de um triste desperdício.

Algumas observações avulsas, de um jornalista apaixonado por livros, assíduo freqüentador de bienais e feiras de livros:
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Foto: Aguinaldo Pedro - Oficio da Imagem - Bienal Internacional do Livro 2010, São Paulo

- já estive em bienais do livro em São Paulo e Rio maiores do que esta deste ano;
- os estandes estão menos criativos, menores, do que em anos anteriores;
- a área de alimentação está menor;
- uma bela idéia e muito bonito ver o time de jornalistas mirins, crianças com camisetinhas vermelhas, com gravadores e bloquinhos de notas na mão, fazendo matérias na Bienal do Livro (ao conseguir autorização dos pais das crianças publicarei foto aqui);
- os ebooks invadiram a Bienal;
- os vendedores de revistas são inconvenientes com as ofertas pseudogratuitas de exemplares antigos;
- interessante revisitar antigos editores, como o Lima e o Paulo Machado, L&PM Pocket Book, e vê-los com o “umbigo no balcão”, promovendo seu catálogo pessoalmente;
- os livros estão muito caros, bastante sofisticados, muito bonitos, mas muito caros;
- muitos autores estrangeiros;
- poucos lançamentos com autores circulando nos estandes, em contato com o público;
- como é bom estar na Bienal do Livro.


Jornalismo - Business
Newsweek falida, foi comprada por magnata de aparelhos de som.
Mas para que notícias semanais hoje em dia?

Por Luís Peazê publicado em 04/08/2010 17:00

O website da Columbia Journalism Review (Revista de Jornalismo da Columbia, Universidade dos Estados Unidos, casa do Prêmio Pulitzer) pergunta qual o valor de notícias publicadas semanalmente neste ambiente de mídia propagando de segundo em segundo?

Luciano Martins Costa anotou aqui no OI, na terça-feira, que a Newsweek estaria à venda, mas avisava que, até o momento em que redigia a nota, nada estava confirmado. Porém na segunda-feira o negócio havia sido fechado de fato, pela bagatela de US$1,00 com o magnata de aparelhos estéreos, Sidney Harman, marido da Democrata do Estado da Califórnia, Jane Harman. O homem tem 91 anos ou 92 (de segunda a quarta-feira a Columbia Journalism Review revisou a idade do rapaz) e outra pergunta que a revista faz é o que ele fará com a Newsweek, especulando se conseguirá manter o padrão da “venerável” revista (adjetivo da CJR). CJRjulaug.png (52392 bytes)

Tudo muito rápido, embora o negócio viesse sendo comentado há muito tempo nos bastidores da imprensa americana, especialmente na ponte aérea Washington-New York. Aliás o New York Times dera o furo, na segunda-feira, sem confirmar, e o Washington Post (ex-dono da Newsweek) também não confirmava nem revelava valores, apenas ecoava o otimismo do futuro comprador, de que a coisa iria se concretizar.

Aí o CJR informa (nesta quarta-feira) que o furo saíra na terça-feira pelo The Daily Beast , www.thedailybeast.com , e a coisa se tratava de, a la Tanure, a aquisição de um cadáver financeiro cuja perda operacional para 2010 está projetada em 20 milhões de dólares.

Mês passado, o Observatório da Imprensa já havia soltado a pergunta que plagio agora: o que faz um sujeito que não tem nada a ver com jornal, adquirir um veículo da imprensa? Se ele quer exposição, não seria o caso de comprá-la sob demanda? Pergunto eu: Quem seria capaz de desamarrar este nó gordiano para todos nós?

Sobre a questão da importância de notícias semanais, sendo um fanático da crônica (autor de Crônico –a história da crônica) eu comentei no blog da revista que a análise contextualizada da notícia com a opinião de especialistas só é possível quando a poeira baixa um pouco, ou as apurações são reapuradas pela própria renovação de fatos. Que os repórteres e cidadãos jornalistas façam a sua parte, que nós crônicos pela leitura mais profunda façamos a nossa.

E, enquanto o mundo digital gira disponibilizando notícias à razão da computação de nuvens (cloud computing), tudo remoto e instantâneo à mão de quem quer acessar, em qualquer lugar, no computador, no palm top, no telefone celular, nos emaranhamos em mais perguntas. Pelo menos a CJR estimula o questionário com a seguinte:

Como deveria ser uma revista semanal de notícias? Vários jornalistas extraviaram palpites, mas o Ean Smith, editor-chefe e CEO do The Texas Tribune, que inovou recentemente cobrando por comentários de internautas (uma forma de selecionar comentários obscenos) deu uma resposta em que eu acrescentaria muito pouco. Ei-la:

“1. Relembre que todos nós hoje em dia temos nossas notícias não semanalmente, nem a cada dia, mas a cada segundo. O valor real que a Newsweek traz para a mesa é o jornalismo de contexto e uma rotação de análises, que eu chamo de espiral (tradução deste observador para “analysis-forward-toration-journalism”, porque é assim que eu tento escrever, em espiral). Eu já sei o que aconteceu antes deles me contarem; o que eu preciso saber é por que e como e o que acontecerá em seguida;

2. Igualmente importante, preciso inovação na apresentação: plataforma de jornalismo agnóstico verdadeiramente do século 21. Me impressione com ferramentas de Flash; me surpreenda inteiramente com aplicações de dados; me engaje com estórias em áudio e vídeos;

3. Aproprie-se do espaço de conteúdo alimentado automaticamente. Utilize mídia social agressivamente para colocar o seu conteúdo na cara de audiências dispostas a absorvê-lo. Colabore e associe-se com parceiros tantos quantos sejam os seus antigos concorrentes, para produzir um bom trabalho e distribuí-lo através de suas redes, assim como de sua própria rede. E nos diga, pessoalmente, como pensar sobre as notícias, através de eventos pelo país afora, de modo que nos engaje, literalmente, aonde vivemos.”

Bela resposta, cada linha dá pelo menos uma boa discussão. Mas e aquela pergunta que não quer calar (o lugar comum é providencial, com o seu perdão): por que gente que não é do ramo quer um veículo de imprensa (mesmo falido) nas mãos? Eu não sou Alexandre o Grande, mas prometo responder esta pergunta aqui, em breve.
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Luís Peazê, que “já jogou bola”, é escritor e jornalista (MTB 24338), tradutor de "Por Quem os Sinos Dobram" de Ernest Hemingway. Autor de O Elo Perdido da Medicina, dirige a Clínica Literária – Consultoria e Agência de Notícias e o Instituto Brasil Costal – BRCostal, entidade sem fins lucrativos dedicada à difusão das questões do meio ambiente marinho e costeiro.


Jornalismo - Política - Ciência & Tecnologia - Comportamento

diploma.jpg (60105 bytes)E o Diploma de Jornalista, Meritíssimo?
por Luís Peazê   Publicado em 07/04/2010 00:00

Dia do Jornalista

No princípio era o fato. Não havia ninguém para contar a história. Os fatos foram se acumulando e as pessoas se interessando cada vez mais sobre as novidades. Assim surgiu a notícia.

A primeira notícia foi contada num tronco de árvore deitado no meio da estrada. “Aqui eu vi um animal tão alto quanto às árvores ao redor, de quatro patas e um rabo muito grande, matei o animal com um tacape na presença de minha família, mulher, dois filhos e um parente. Depois seguimos em fila, do jeito de sempre”.

Surgiu o precursor do jornalista, um homem comum acumulando duas ocupações, a de caçador e cronista. Narrava a cronologia de suas andanças, quando algo inusitado acontecesse. Andava sem parar. Quando parou, surgiu um outro tipo de homem: o caixeiro viajante, o segundo precursor do jornalista, mais descritivo e mais seletivo nas notícias narradas pessoalmente, nas terras para onde viajava. Nesta época surgiram vários tipos de homens, os tipos diferentes de mulheres só surgiriam muito tempo depois.

Surgiram também os cronistas, intérpretes dos caixeiros viajantes e estudiosos da palavra escrita, com símbolos vários, depois consolidados em letras. Começaram a surgir as várias formas móveis de se divulgar as notícias, encadeadas na forma de histórias.

A partir daí o mundo nunca mais foi o mesmo. Pode-se afirmar o seguinte: sem a divulgação das notícias o homem não evoluiria ao ponto e da forma como evoluiu até os dias de hoje. Foi preciso cruzar oceanos desconhecidos, ultrapassar cadeias de montanhas aparentemente intransponíveis, enfrentar diferenças climáticas extremas, as barreiras das diferentes línguas, tudo dificultava a evolução do homem. Somente a divulgação da notícia, ou do conhecimento, a comunicação na sua essência, possibilitou e possibilita a evolução contínua do homem.

Desde àqueles primórdios do jornalismo e durante muito tempo, o precursor do jornalista apreendia informação sobre outras atividades humanas, profissões, para contar histórias, reportar as notícias, mas ele mesmo não tinha uma profissão definida. Um aventureiro irresponsável de nome Marco Pólo parte com seus navios sem rumo definido; a enchente do Rio Nilo deste ano influenciou na colheita do trigo, menor quantidade, subiu o preço; um novo fabricante de perfume chegou a Paris; fulano será enforcado; o Santo Padre mandou construir outra igreja...

Os meios disponíveis para fazer suas reportagens e imprimir as notícias eram poucos e simplórios, a apuração das notícias não era nada sofisticada e o público em geral não havia descoberto ainda a importância da imprensa, falada e escrita. Jamais imaginaria uma mídia instantânea, a disseminação da informação à velocidade da luz e a possibilidade de interação com a notícia.

Não faz muito tempo, do romântico grito na rua do menino vendedor de jornais – Extra! Extra! Extra! – ao silencioso painel eletrônico na fachada do edifício de uma megalópole divulgando em tempo real a descoberta para o câncer, a eclosão de mais uma guerra insana ou o vencedor da Copa do Mundo de Futebol, passaram-se apenas cinco séculos, mas o mundo evoluiu exponencialmente muito mais em comparação com a lenta evolução do narrador no tronco ao caixeiro viajante.

O jornalista de hoje pode operar o inconsciente coletivo, operar o sentimento das massas, guindar um desconhecido à fama repentina ou à difamação irreparável instantaneamente.

Através dessa evolução, desde a prensa de Guttenberg (para não se ir mais longe) a demanda pela ética e a complexidade jurídica do termo responsabilidade solidária impõem a formação criteriosa acadêmica, e o seu aperfeiçoamento contínuo, do jornalista, de um modo tão crítico quanto o é o de um neurocirurgião, o de um engenheiro espacial, o de um jurista, cuja essência, diga-se de passagem, qualquer indivíduo poderia, em tese, ser capaz de desempenhar tal função social. Mas ele precisa ter um diploma, do contrário a sociedade, a lei, não lhe autoriza julgar ninguém.

Daí uma das razões, entre outras, da importância do diploma para o desempenho da função de jornalista.

O texto acima foi escrito em 15 minutos com a determinação de não utilizar a palavra “que”, um exercício prático para a disciplina na construção de um texto.

Luís Peazê, que “já jogou bola”, é escritor e jornalista (MTB 24338), tradutor de "Por Quem os Sinos Dobram" de Ernest Hemingway. Dirige a Clínica Literária – Consultoria e Agência de Notícias e o Instituto Brasil Costal – BRCostal, entidade sem fins lucrativos dedicada à difusão das questões do meio ambiente marinho e costeiro www.luispeaze.com/brcostal

FENAJ e o "re call" de Jornalista sem diplomaselo_fenaj(1).jpg (21224 bytes)

A Clínica Literária entra na discussão sobre o diploma de jornalista como condição imprescindível para a sindicalização e, por extensão, desempenho da função de jornalista nos meios de comunicação.

Após muita polêmica e liminares, o Supremo Tribunal Federal de Justiça (em 17 de junho de 2009) “considerou inconstitucional a obrigatoriedade do diploma de Jornalista para o exercício da profissão de jornalista” (Fonte: FENAJ). Em reunião do Conselho do último dia 27 de março, a FENAJ – Federação Nacional dos Jornalistas decidiu recomendar, aos sindicatos, não aceitarem a sindicalização e nem mesmo a associação aos sindicatos de profissionais sem o diploma de jornalista, contrariando uma decisão daquele órgão máximo do sistema de justiça do país.

A Clínica Literária se posiciona da seguinte maneira: em primeiro lugar solicita aos interessados em debater o assunto, com a mesma, a não reproduzirem parcialmente a sua opinião, sempre que possível contextualizá-la com as informações e destaques aqui neste web site; em segundo lugar convida à leitura do texto criado especialmente para o Dia do Jornalista: E o Diploma de Jornalista, Meritíssimo?

Isto posto, a Clínica Literária defende a idéia de que, apesar da luta da FENAJ pelo diploma ser uma reivindicação longeva, não se pode negar que a questão passa por uma fase de transição, com sorte para a premiação ao esforço dos que defendem a exigência do diploma para a sindicalização e consequentemente do direito de exercer a profissão de jornalista somente aos profissionais diplomados.

Sendo assim, uma fase de transição, a Clínica Literária está convicta de que é necessário conquistar os opositores à idéia de exigência ao diploma, em primeiro lugar, para que mudem sua opinião, para que passem a defender também a exigência do diploma; neste sentido é preciso expor publicamente os opositores, posto que os defensores do diploma são francamente vogais voluntários e passionais a respeito.

Acredita a Clínica Literária que entre os opositores da exigência do diploma  que não sejam empresários da mídia, empregadores, e, portanto, óbvios interessados em não engessar (na sua visão) suas gestões de recursos humanos, e não enfrentarem restrições trabalhistas amparadas por um órgão de classe (os sindicatos), então, excetuando esses opositores teoricamente bem identificados, há poucos profissionais com voz forte e representativos que não possuem diploma e que seriam prejudicados tempestivamente com o seu impedimento de continuar exercendo a profissão porque não dispõem de um diploma de jornalista.

Se há uma massa muito grande de jornalistas opositores à exigência de diploma, entre esses, infere a Clínica Literária, não há muitos que não têm diploma, apenas se posicionam contra, e inflam o debate. 

Para resolver este status quo, de peneirar o mercado e separar o joio do trigo, a Clínica Literária sugere:

a) há em franca atividade no mercado de trabalho um elenco enorme de profissionais maduros, experimentados e egressos de uma época que, de fato, não era nem discutida a exigência ou não do diploma de jornalista, muitos desses profissionais possivelmente treinaram jornalistas mais jovens, possivelmente alguns deles ainda o fazem; b) este elenco poderia oferecer alguns nomes voluntários ou convidados de modo a formar um Conselho em Caráter Temporário para o julgamento de casos de formação de jornalista pela prática, contudo sem a formação acadêmica; c) o Conselho da FENAJ consultaria esse Conselho Temporário, uma vez composto, para consolidar um critério de avaliação caso a caso; d) com isso seria lançada no mercado, na sociedade brasileira, um “re call”, uma chamada para a regulamentação do exercício profissional desses jornalistas não diplomados.

Em paralelo a este ato inédito de um órgão de classe, francamente revelado ao grande público, e uma vez tendo conquistado a massa crítica de opositores à idéia da exigência do diploma de jornalista, uma profissão cuja atividade é de interesse do público em geral, bombardeado diariamente com informação e notícias as quais precisa confiar, posto que não tem, necessariamente, meios de apurá-las, a Clínica Literária sugere um debate no Congresso com parlamentares e  juristas, legisladores e profissionais do jornalismo, e representantes da sociedade civil organizada, com o objetivo de consolidar a idéia da exigência do diploma para o exercício da profissão de jornalista. E consequentemente a sua legibilidade decretada por Lei Federal.

Jornalismo - Política - Ciência & Tecnologia - Comportamento
O Diploma da Tragédia

por Luís Peazê   Publicado em 09/04/2010 11;24

Eu saía do Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro, na segunda-feira 5, após deixar para a presidente Suzana Blass um exemplar de o Crônico – Uma Aventura Diária Nas Esquinas do Rio, a história inédita do gênero crônica nunca antes narrada em livro, na forma de crônica, e frustrou-me a impossibilidade de discutir uma nova forma de abordar a questão do diploma de jornalismo e apresentar o projeto de Prêmio para Jornalistas Formandos, bolsas no exterior e nacionais: Suzana sofrera um pequeno acidente no trajeto para o Sindicato, por conta da chuva. Era o prenúncio da formatura dos responsáveis pelas tragédias que iriam acontecer, e aconteceram.

Corri para casa, em Saquarema, pois, sendo um irremediável velejador de cruzeiro, estou continuamente perscrutando o horizonte, cheirando o tempo, lendo as nuvens, observando o vôo das aves no céu, impaciente para voltar para o mar, revivendo mentalmente o Alvídia, a história de meus dois anos velejando no Mar da Tasmânia, de Corais, Pacífico, Arafura, Timor, num veleiro que construí com as próprias mãos. Previa muita chuva, seguida de vento, frio e das ressacas anuais desta época.

No dia seguinte, um pouco antes da meia-noite, publiquei o texto E o Diploma de Jornalista, Meritíssimo? Abaixo do texto vem o início de uma série que discutirá a formação em jornalismo, mas este não repercutiu nada, até o momento, o outro sim, incluindo ofensas morais que eu, sinceramente, não entendi, pois o texto é até ingênuo, só pretendia celebrar o Dia do Jornalista, 7 de abril, dia do início da tragédia anunciada.

O jornalista Luiz Martins da Silva publica hoje (09/04/2010) no Observatório da Imprensa um belo texto onde faz uma analogia do jornalista com a figura bíblica do atalaia, que em dado episódio (Reis), após perscrutar do alto de uma torre, se os inimigos se aproximavam, foi mandado ao encontro daqueles para perguntar se havia paz. Num outro livro da Bíblia (Ezequiel), se o atalaia vier com a espada, não tocar a trombeta, o povo não será avisado e ele será o primeiro a morrer. Isto é, se não vier para passar uma informação, então é guerra. Com o tempo atalaia virou sinônimo de torre alta para a vigilância, e grito de alerta. Realmente, boa analogia. Neste sentido tem havido um pecado reincidente, dos atalaias das redações, e não é por falta de aviso.

Peca o jornalismo praticado no dia-a-dia que não privilegia a enxurrada de informação, ações, iniciativas, estudos, e falta de estudos, pois a falta de alguma coisa também é notícia, invariavelmente alarmante, sobre as questões do meio ambiente – que nunca estão dissociadas das questões urbanas, das políticas públicas a níveis locais, regionais e nacionais, da qualidade de vida, em síntese. E, se não há qualidade de vida, é a tragédia que ocupa o seu lugar. É onde estamos no exato momento.

Nos congressos sobre jornalismo ambiental, tratado unicamente como um setor, ou uma editoria, equivocadamente, tem havido o martelar na tecla de que a mídia não cobre bem o assunto. Ou não sabe, ou não quer, mas é unânime, dentro e fora da mídia, neste caso pelos especialistas, a idéia triste de que um setor da sociedade – o quarto poder – que  poderia estar exercendo este poder não o exerce. Tragédia iminente à vista, óbvio.

Mas o viés não é este aqui, trata-se apenas de uma breve pausa no meio dos escombros do terceiro dia de tristeza generalizada   pelas conseqüências, e galeria de imagens da luta pela concorrência de audiência, número de leitores, visitas em web sites de conteúdos, para chamar a atenção, mais uma vez, dos diretores de jornais, editores, chefes de redação e repórteres de campo que contextualizem suas pautas com as questões do meio ambiente – começando pela degradação, pelo lixo, pelas coisas mal feitas, que pelo menos tragam para as manchetes a discussão da responsabilidade solidária, um termo jurídico esquecido. Um alerta inaudível em tais circunstâncias – a tragédia de Abril no Rio de Janeiro – mas fica o registro.

Trata-se esta crônica do diploma da tragédia que deve ser dado, incluindo a devida premiação, aos culpados. Quando dirijo por ruas de  bairros ou cidades ao longo de estradas visivelmente abandonadas, com lixo e construções irregulares de fácil constatação, sempre me pergunto: o que faz um prefeito em seu gabinete neste exato momento que não emprega gente para limpar (no mínimo) a sua jurisdição, o que fazem os seus secretários, os vereadores, o governador deste estado? Reflito, me frustro, desisto e num futuro muito próximo estarei lá novamente repetindo as mesmas perguntas.

Neste sentido os atalaias, eficientes ou não, dedicando o devido espaço, linhas, minutos, imagens, ou não para as questões do meio ambiente, têm alertado o suficiente para que tragédias como a do Rio de Janeiro neste inesquecível mês de abril não aconteçam. Não merecem o diploma, nem precisam dele para exercer o seu poder de informar a sociedade. Os merecedores do diploma da tragédia são: o prefeito, o governador, seus secretários, os vereadores, os deputados estaduais, um conjunto de agências e autarquias, e por fim um pouco de louvor à sociedade como um todo, embora esses últimos, pela experiência da história, serão os únicos a serem agraciados com as honras do diploma dessa tragédia.

Metáfora irônica, essa do diploma, de quem escreve com um cadáver entre os dentes, incapaz de provocar uma revolução necessária, aliás, foi-se o tempo das revoluções, essa do diploma de jornalista, por exemplo, eu, que nem tenho diploma, não preciso de um para ser jornalista há décadas, quero defender, acho que é importante o estímulo à formação acadêmica, quanto mais formal, densa, profunda possível, melhor, embora imprescindível. Mas o que se vê são escombros intelectuais, enxurradas de interesses paralelos, explosões insanas travestidas de elaborações teóricas, tudo à razão da vontade de ganhar dinheiro e poder, ou do medo de perdê-los.

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por Robert Redford, traduzido por Luís Peazê - publicado originariamente Copyright © 2010 HuffingtonPost.com, Inc. em 04/06/2010 18:50 e na Clínica Literária em 06/06/2010 16:20

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