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Redação - Publicado em 21/10/2010 15:10
Categoria: Meio Ambiente
Contexto: Política, Comportamento, Cultura
O banner de plástico da foto foi retirado três dias após esta reportagem, o colchão citado aqui foi queimado no local mesmo, o monitor de computador não aparece mais no local, os demais itens de lixo permancem poluindo a lagoa [ NOTA DA REDAÇÃO EM 23/10/2010 10:16].

Matéria originariamente publicada em 21/10/2010 15:43
SAQUAREMA, RIO DE JANEIRO, OUTUBRO DE 2010 - Material plástico de propaganda do primeiro turno das eleições é abandonado na orla da Lagoa de Saquarema, Rio de Janeiro. Passadas três semanas das eleições, não só a candidata, estampada no material de propaganda, não continuou no páreo da eleições, como também é ela mesma a personificação da educação ecológica no Brasil. Mas isso parece não ser suficiente para os militantes de seu partido, o Partido Verde, cuidarem do resgaste do material de campanha poluente.
Importa lembrar que essa região representa um dos ecossistemas mais frágeis e, na mesma proporção, econômica e socialmente importantes, do litoral brasileiro, formada por conjunto de lagoas ligadas ao mar, é um dos exemplos mais alarmantes de nossa cultura de relaxamento e falta de: educação, consciência ecológica, saúde pública e estética.
A foto clicada por celular, pela Redação da Clínica Literária©, é de um banner abandonado entre os galhos de uma amendoeira às margens da principal lagoa de Saquarema. O banner estampa Marina Silva e ela está ironicamente de cabeça para baixo, aclamada a vencedora moral do primeiro turno das eleições pela sua imagem de integridade e fidelidade, entre outras, da causa ecológica. Ela mesma um ícone da ecologia em nosso país, herdeira da imagem romântica que Chico Mendes representa para o ecologismo no Brasil.
Importa registrar também que a árvore onde este e outros materiais de campanha eleitoral abandonados foram encontrados por esta reportagem, fica exatamente no pesqueiro próximo à Ponte do Jirau estabelecido pela prática da pesca do camarão com tarrafa, de sobre o canal de ligação de duas lagoas. Uma delas conectadas ao mar a cinco minutos de caminhada. Diariamente esta ponte e seus arredores está repleta de pescadores locais, moradores, e visitantes de outras regiões próximas. Alguns pescadores praticam a pesca de subsistência, são antigos moradores da vizinhança; outros, entretanto, apenas estacionam seus automóveis sobre a ponte, ou descem pelo barranco sobre a vegetação ciliar e até mesmo tocando as franjas de água da lagoa, para fazerem churrasquinho, beber, ouvir música e passar o tempo. O padrão de comportamento, com relação ao lixo produzido pelos usuários deste local, é simplesmente abandoná-lo. Há também o descarte ilegal de resíduos sólidos às margens da lagoa e próximo a ponte, tais como colchões, monitores de computador, carcaças de geladeiras, e, claro, garrafas e sacos de plástico, entre outros itens.
Partido Verde é fonte de lixo marinho
Não faz nenhum sentido um material plástico de campanha eleitoral do Partido Verde ser abandonado sobre uma árvore às margens de uma lagoa, foge completamente a qualquer raciocínio e sobram apenas duas hipóteses: indiferença com o próprio discurso eleitoreiro, ou nenhuma capacidade de gestão. Entretanto, a Clínica Literária enviará esta matéria para ser completada pelo Sr. Alfredo Sirkis, que talvez possa explicar ou acionar seus dirigentes, gestores e evangelizadores quanto ao correto procedimento, pelo menos com relação ao material de divulgação de campanha.
Enquanto isso lembraremos ao Partido Verde que o lixo marinho é um dos maiores problemas que o mundo enfrenta, ou sofre sem saber ter a noção do quanto ele é problemático e perigoso para a saúde do planeta e dos seres vivos, animais e humanos.
Se o próprio Partido Verde é fonte de lixo marinho, não há muita esperança, mas nunca é demais listar alguns pontos, cuja lista é interminável, sobre a gravidade do lixo marinho e a importância do mar nas nossas vidas, já que não existe um Partido Azul, para defendê-lo. Pois, se o Partido Verde não protege o verde, pelo menos que não agrida o azul, que ainda não foi totalmente destruído.
Global Garbage (farto material sobre a gravidade e perigo que o lixo marinho representa para a vida na Terra).
Programa das Nações Unidas para o meio Ambiente
5 de junho de 2004; Dia Mundial do Meio Ambiente
1. Os oceanos cobrem 70% da superfície terrestre.
2. Mais de 90% da biomassa viva do planeta encontra-se nos oceanos.
3. Oitenta por cento da contaminação de mares e oceanos e originada em atividades terrestres.
4. Quarenta por cento da população mundial vive a menos de 60 km do litoral.
5. Três em cada quatro metrópoles do mundo são cidades litorâneas.
6. Em 2010, 80% das população mundial viverá a menos de 100 km do litoral.
7. As mortes e as doenças causadas por águas oceânicas contaminadas somam um custo de 12,8 bilhões de dólares americanos para a economia mundial. O impacto econômico anual da hepatite causada por frutos do mar contaminados chega a 7,2 bilhões de doláres americanos.
8. Os resíduos de material plástico provocam a morte da até 1 milhão de aves marinhas, 100 mil mamíferos marinhos e incontáveis peixes a cada ano.
9. Os seres marinhos que morrem por causa do plástico se decompõem, mas o plástico não. Ele permanece intacto no ecossistema e continua matando.
10. A proliferação das algas nocivas devido ao excesso de nutrientes - principalmente o nitrogênio proveniente dos fertilizantes agrícolas - criou quase 150 "zonas mortas" desoxigenadas por uma superfície litorânea de 70 mil km².
11. Calcula-se que a cada ano, 21 milhões de barris de petróleo são lançados ao mar, provenientes de enxurradas, resíduos industriais e vazamento de petroleiros.
12. Na última década, cerca de 600 mil barris de petróleo vazaram acidentalmente de cargueiros por ano, equivalente a 12 desastres de porporções do naufrágio do petroleiro Prestige em 2002.
13. Os navios petroleiros transportam 60% (aproximadamente 2 bilhões de toneladas) de todo o petróleo consumido no mundo.
14. Mais de 90% dos produtos comercializados internacionalmente são tranportados em vias marítimas.
15. A cada ano, se transferem e desaguam em águas estrangeiras 10 bilhões de toneladas de águas de lastro.
16. As águas de lastro contêm espécies - como o mexilhão-zebra - capazes
de colonizar o novo ecossistema em detrimento das espécies e economias locais.
17. A contaminação, as espécies exóticas e a alteração dos habitats litorâneos representam uma ameaça crescente para importantes ecossitemas marinhos como os mangues e os bancos de corais.
18. Os arrecifes de corais tropicais contornam as costas de 109 países, sendo estes, países de menor desenvolvimento relativo, em sua maioria. Em 93 países, os arrecifes se degradaram de maneira significativa.
19. Mesmo que os arrecifes de coral representem somente 0,5% do ambiente marinho, calcula-se que mais de 90% das espécies marinhas dependem direta ou indiretamente deles.
20. Existem 4 mil espécies de peixes que vivem nos arrecifes de coral em todo o mundo; isso representa aproximadamente a quarta parte de todas as espécies de peixes marinhos.
21. A Grande Barreira de Arrecifes, de 2 mil km de comprimento, é a maior estrutura viva da Terra, e pode se vista desde a Lua.
22. Os arrecifes protegem as populações de cidades litorâneas dos danos causados pelas ondas e tormentas por fazerem-se de amortecedores entre os oceanos e as comunidades próximas às costas.
23. Quase 60% dos arrecifes que sobraram no mundo correm grande risco de extinção nas próximas três décadas.
24. As principais causas de destruição dos bancos de corais são o desenvolvimento das zonas litorâneas, a sedimentação, as práticas de pesca destrutiva, a contaminação, o turismo predatório e o aquecimento global.
25. As mudanças climáticas ameaçam a maioria dos arrecifes de coral do mundo e provocam estragos nas frágeis economias de países insulares em desenvolvimento.
26. O nível médio do mar subiu entre 10 e 25 centímetros nos últimos 100 anos. Caso fosse derretido todo o gelo do mundo, os níveis dos oceanos subiriam em média 66 metros.
27. Sessenta por cento da linha litorânea do Pacífico e 35% da linha do Atlântico estão recuando ao ritmo de 1 metro por ano.
28. O fenômeno de descoloração dos corais consiste em uma grave ameaça para a saúde dos mesmos. Em 1998, esse fenômeno afetou 75% dos arrecifes do mundo, e 16% morreram.
29. No Plano de Aplicação aprovado pela Cúpula Mundial de Desenvolvimento Sustentável, se fez uma convocação em prol da avaliação do meio ambiente marinho para 2004 e da formação de uma rede mundial de proteção para zonas marinhas para 2012.
30. Menos de 0,5% dos habitats marinhos estão protegidos, em comparação com os 11,5% referentes à superfície terrestre.
31. O alto-mar - as zonas oceânicas que situam-se além da jurisdição nacional - cobre quase 50% da superfície terrestre e constitui a parte menos protegida do mundo.
32. Apesar de existirem alguns tratados de proteção às espécies transoceânicas, como baleias, e alguns contratos de pesca, não existem zonas protegidas em alto mar.
33. Estudos mostram que a proteção dos habitats marinhos críticos - como os arrecifes de corais, as forrações vegetais marinhas e os mangues - podem aumentar consideravelmente a quantidade de peixes, favorecendo tanto a pesca artesanal quanto a comercial.
34. Noventa por cento dos pescadores e pescadoras do mundo operam em nível local de pequena escala, o que representa mais da metade da captura mundial de peixes.
35. Noventa e cinco por cento da captura mundial de peixes (80 milhões de toneladas) se origina na pesca em baixas profundidades.
36. Mais de 3,5 bilhões de pessoas dependem dos oceanos como principal fonte de alimentos. Em 20 anos, essa quantidade poderá dobrar, atingindo os 7 bilhões.
37. Os meios de subsistência das comunidades de pesca artesanal, responsáveis pela metade da captura mundial de peixes, estão cada vez mais ameaçados por frotas comerciais ilegais.
38. Mais de 70% das companhias de pesca marinha estão abarrotadas ou excederam seu limite sustentável.
39. As populações de peixes grandes, que são atrativos para o comércio, como o atum, o bacalhau e o peixe espada, diminuíram em até 90% no último século.
40. Na Cúpula Mundial de Desenvolvimento Sustentável, os governos firmaram um acordo, com caráter urgente e, se possível, até 2015, de manter ou reestabelecer as populações de peixes como forma de produzir o máximo de rendimento sustentável.
41. No Plano de Aplicação da Cúpula Mundial de Desenvolvimento Sustentável, pede-se a eliminação das práticas de pesca destrutiva e dos subsídios que estimulam a pesca ilegal, não-declarada e não-regulamentada.
42. Os subsídios dos governos, estimados entre 15 bilhões e 20 bilhões de dólares americanos por ano, representando quase 20% dos investimentos da indústria pesqueira em todo mundo, promovem o excesso da capacidade pesqueira e estimulam a pesca excessiva.
43. As práticas de pesca destrutiva estão causando a morte de centenas de milhares de espécies marinhas por ano e colaborando com a destruição de importantes habitats submarinhos.
44. A cada ano, por meio da pesca ilegal e dos instrumentos de pesca inadequados, matam-se mais de 300 mil aves marinhas, inclusive 100 mil garças.
45. Todos os anos, matam-se 100 milhões de tubarões para obtenção da carne e da barbatana, que é utilizada para fazer sopa de barbatana de tubarão. Os caçadores capturam o animal, tiram suas barbatanas enquanto ainda estão vivos e os lançam novamente ao mar, onde se afogam ou sangram até morrer.
46. A captura incidental mundial, a destruição não intencional provocada pelo uso de materiais de pesca inadequados, chega a 20 milhões de toneladas por ano.
47. Calcula-se que a mortalidade mundial de baleias e golfinhos, provocada pela captura incidental, chegue a 300 mil animais por ano.
48. A pesca de camarões selvagens representa 2% dos alimentos marinhos mundiais, mas representa, também, um terço do total de pesca incidental. A relação entre a pesca incidental e a pesca de camarões varia de 5 por 1 a 10 por 1 em zonas temperadas, sendo que nos trópicos essa relação é maior.
49. A criação de camarões também é muito destrutiva. Ela causa contaminação da água com produtos químicos e fertilizantes e foi responsável, em grande parte, pela destruição de quase um quarto dos mangues de todo o mundo.
50. Os mangues serverm de criadouro para 85% das espécies de peixes comerciais nos trópicos.
"...no princípio era o verbo, depois veio a luz e o dedo de Deus separou as águas e surgiram os continentes - qualquer coisa assim. Passaram-se milhões de anos até a época das colonizações que por sua vez terminaram num dia qualquer do final do século XX. Então, os homens do hemisfério norte, que haviam perdido as colônias por tê-las exaurido, ou por causa da emancipação da humanidade, se deram conta de que naquela separação das águas a maior área molhada escapara-lhe das suas mãos desde o início. Ainda detinham o poder (econômico), mas não podiam plantar o suficiente para comer e, por outras razões de caráter, também não tinham mão-de-obra suficiente para trabalhar a terra e nas suas fábricas, que por sua vez também dependiam de água. Assim foi que a guerra começou, a guerra pela água..." Luís Peazê
Obrigado pela interação, Rodolfo, mas cortamos uma palavrinha, um palavrão na verdade.
Cara Carmen, obrigado pelo comentário. Realmente não retirei o banner, e estou monitorando até quando ele ficará lá... Mas retiro lixo da Lagoa por onde caminho todos os dias, gasto horas preciosas de minha vida estudando o problema do lixo marinho (entre outros) e defendendo a conscientização da saúde do mar, fundei o Instituto Brasil Costal com meus próprios recursos e não tenho patrocínio de ninguém e de nenhuma empresa. Prometo avisar aqui se o banner for retirado em alguns dias, se não for, eu o retiro e envio ao Partido Verde.
Por nada, Carmen, sempre que possível daremos uma resposta pessoal. O cartaz foi retirado, o colchão foi "queimado" no próprio local, o restante do lixo continua poluindo a lagoa...
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