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Luis Peazê - Publicado em 10/02/2012 13:02
Categoria: Meio Ambiente
Contexto: Negócios & Economia, Transporte Marítimo
Enquanto o maior cargueiro do mundo (334 m) ancora no Porto de Santos, um minúsculo cargueiro transcontinental, e bem mais lento, zarpa de Plymouth, Inglaterra, em longa rota oceânica com data prevista de chegada – dependendo do vento, condições do mar e a bordo – em junho para o Rio+20 Earth Summit. Trata-se do Irene of Bridgwater, um ketch de 35 metros de madeira, restaurado e carro chefe da recém (2009) criada empresa de navegação Trans Oceanic Wind Transport - TOWT pelo jovem bretão Guillaume Le Grand, graduado em Desenvolvimento de Energia e Ambiente Sustentáveis, e com os pulmões cheios de vento para competir no turbulento mercado de transporte marítimo de cargas.

Detalhos da embarcação:
Ship Type: Pleasure Craft
Length x Breadth: 34 m X 6 m
Speed recorded (Max / Average): 5.5 / 5.4 knots
Flag: United Kingdom [UK]
Call Sign: MCQW
IMO: 0, MMSI: 235085663
Responsabilidade Solidária
É provável que o Rio20+ repita a performance da Eco92 e das demais reuniões planetárias para resolução de nada, mas a proposta da TOWT é mais plausível, realizar um transporte formiguinha de mercadorias enquanto divulga a necessidade de maior atenção à questão da poluição dos mares e a saúde da Terra como um todo, posto que utiliza energia eólica e, para as poucas vezes em que utiliza motor, o gás combustível produzido de resíduos orgânicos. A TOWT não está sozinha nesta nova velha forma de utilizar o mar como meio de ligação econômica entre os povos. A Fairtransport Ltd, empresa holandesa de três aventureiros sérios também faz, com dois veleiros de pouco mais de 30 metros, transporte marítimo de carga e desenvolve um projeto ambicioso de um navio movido a um sistema moderno de propulsão eólica, que chamaremos aqui de “velas mecânicas de alta tecnologia”.

Ambas as empresas estão alinhadas com as Diretrizes de Energia Renováveis da Comunidade Européia - RED. Inseridas, por sua vez, as diretrizes e as empresas, no contexto das regulamentações da IMO (International Maritime Organization, uma das agências da ONU) e na complexa tribuna mundial de discussão sobre os efeitos das atividades do homem sobre a saúde do planeta – leia-se produção de alimento, bens de consumo e clima.
O Brasil assim como qualquer outro país enfrentam hoje um nó difícil de desatar com relação às questões reguladas pela IMO que apontam para o princípio da responsabilidade solidária, isto é, em que grau uma má conduta ou acidente começa a sair da esfera de responsabilidade de uma região, país ou empresa, e começa a entrar em águas de terceiros.

Detalhes do navio:
Tipo de Navios: Cargo
Ano de contrução: 2011
Comprimento x largura: 334 m X 43 m
Gross Tonnage: 88600, Porte Bruto: 83400 t
Velocidade registada (Max/media): 13.3 / 10.7 knots
Bandeira: Hongkong [HK]
Indicativo: VRID5
IMO: 9448815, MMSI: 477266900
O que a sociedade não vê
90% do transporte de carga do mundo é feito pelos mares e segundo estudo (2006) da Universidade do Colorado, EUA, os navios mercantes representam metade da emissão (dos veículos automores terrestres) de partículas poluentes na atmosfera, prejudicando o clima, a vida animal e humana e consequentemente todo a ecologia global. Interessados no estudo da Universidade do Colorado eis o link http://dx.doi.org/10.1029/2008JD011300
Ainda não esmiuçamos o estudo, para saber se dos 200 navios comercias pesquisados (pouco mais de 10% da frota mercante mundial de 13.366), foram consideradas as idades desses bichos, pois mais da metade circula por aí com mais de 20 anos no lombo, muito velhos, com tecnologia ultrapassada, com bandeiras de paraísos fiscais e de difícil acomodação legal, em caso de pendengas internacionais, como a “avaria grossa”, entre outras de mesmo calibre. Sem falar que seus comandantes e tripulações, assim como as boas práticas a bordo, em alto mar e nos portos são fatores importantes a considerar neste que é o mais complexo dos meandros do modal logístico do mundo.
Um viés que pode passar despercebido da sociedade alijada, pela grande imprensa burra e preguiçosa, dessas questões nevrálgicas, que só vêm à tona quando um navio derrama milhares de toneladas de óleo no mar ou se joga numa praia turística causando tanto estrago no meio ambiente quanto qualquer outra tragédia fenomenológica, é o fato de que, ao incentivar o uso de fontes renováveis de energia, aquelas RED tentam favorecer os mercados locais, por outro lado criam uma demanda de especulação da agroindústria em países emergentes (produtores de milho, cana de açúcar e outros) ávidos por exportarem a “nova moeda” teoricamente substitutiva do petróleo. A médio e longo prazos, isso cria um vetor de degradação ambiental das grandes áreas de matas, cerrados e savanas, empobrecimento de solos e grandes habitats vitais para o equilíbrio ecológico. Tudo isso pode ser planejado, coordenado, executado e acompanhado apropriadamente, mas é preciso muita vontade política e mais do que vontade de lucro financeiro de governantes e investidores, daí refletir nas anomlias de nossos hábitos e costumes de cima para baixo.
A saída
Diante deste cenário, de longe esgotado até aqui, trazemos a luz dos faróis de nossos portos a proposta da TOWT para a qual o Instituto Brasil Costal – BRCostal, fundado e dirigido por este observador, decidiu acompanhar assim como outras iniciativas similares, trazendo em primeira mão os seus progressos e aventuras - dependendo da capacidade desses aventureiros de manterem contato e "fazerem a coisa certa".
Aventura ainda é hoje em dia, no jargão da Marinha Mercante, uma travessia com o objetivo de transportar carga. A cada vez que um navio levanta os ferros em um porto, para descarregar mercadorias além mar, diz-se que fará uma aventura – herança romântica dos velhos tempos mas que indica que nunca se sabe o que acontecerá depois que um navio corta o cordão umbilical dos pequenos reboques e barcos de práticos. Um amigo velejador, que faz entrega de veleiros, (Germano Barcos) utiliza uma expressão assustadora para descrever a saída do Porto de Rio Grande que, a meu ver, serve para qualquer porto do mundo, diz ele: “Peazê, é como sair de uma buceta, depois que você deixa o conforto do útero, tudo pode acontecer”.
Calma, não se assuste com a palavra, o imortal da Academia Brasileira de Letras e de Filologia, eterno mestre Antônio Houaiss (in memoriam), registra 330 nomes para a vulva, Germano apenas tomou um dos primeiros e mais populares...
Conheça esta novidade: Alvídia - Um Horizonte a Mais com autógrafo digital exclusivo.
15 anos depois em eBook, Alvídia – Um Horizonte a Mais, de Luís Peazê, com a novidade: autógrafo digital exclusivo para cada leitor.
CLBR-PRN-20120112 12 de janeiro de 2012 07:30 HORA LOCAL
Rio de Janeiro, 12 de janeiro de 2012 – Celebrando 15 anos da aventura e 12 anos do lançamento do livro, Luís Peazê lança no formato ePub e Kindle, o eBook do Alvídia – Um Horizonte a Mais, com uma novidade:
Obedecendo à regra de que em casa de ferreiro o espeto é de pau, somente após todo esse tempo, Peazê incluiu entre suas demandas externas o lançamento de Alvídia – Um Horizonte a Mais na versão eBook, nos formatos ePub e Kindle, e, aproveitando as facilidades dos dispositivos digitais de leitura viabilizarem publicações coloridas sem encarecê-las, Alvídia vem com fotos selecionadas pelo autor. Adicionalmente com uma inovação: Alvídia ebook tem autógrafo digital exclusivo para cada leitor que adquiri-lo pelo site da Clínica Literária www.clinicaliteraria.com.br
Alvídia foi lançado em 2000, e narra a aventura de um casal de brasileiros que decide “largar tudo” para construir com as próprias mãos o sonho de um barco a vela, e se lançam em mares dos mais perigosos do mundo, tudo sem experiência prévia. Peazê e sua mulher, a cientista social Helga Leal, saem do sul da Austrália e percorrem mais de 8000 milhas durante 22 meses vivendo a bordo, sem patrocínio e no anonimato, quer dizer, segundo o autor, “colecionando amizades com anjos de carne e osso”.
O tradutor americano de Alquimista, de Paulo Coelho, Mr. Alan Clarke diz: “Alvídia é um dos melhores livros em português que eu já li. Captura a atenção e o interesse do leitor de uma forma incomum”. Com a sinopse e o primeiro capítulo de Alvídia traduzidos para o inlgês, por John Hemingway, neto de Ernest Hemingway, de quem Peazê é tradutor (Por Quem os Sinos Dobram, Ed. Record), foi recentemente sondado por um produtor de Hollywood para um longa metragem. Narrado em espiral, estilo do autor, Alvídia surpreende a cada parágrafo, faz rir e emociona, nas palavras do próprio, “uma aventura diária necessária”.
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Tudo indica, a torcida aqui é grande! -:))))
Prezada Marcia Brandão,
obrigado pelos cometários que são muito pertinentes.
Pessoalmente estou atento aos pontos que você salienta e muito interessado na preservação do ambiente marinho e cumprimento das complexas normas de segurança e prevenção contra acidentes e poluição, assim como boas práticas. Eu vivo o mar dentro de minhas próprias veias como velejador de alto mar, irremediavelmente possuido pelo meio marinho, como se não bastasse sou construtor amador de barcos e faço réplicas miniaturas de Faróis em cerâmica.
O caso específico do TOWT traz à tona muitos aspectos importantes da utilização, manejo e aproveitamento dos mares em suas várias possibilidades e concordo com você que projetos como este têm pouca chance de poderem cumprir com as exigências legais, contudo não sou eu que deve checar se eles têm ou não cumpridas tais exigências, assim como não tenho certeza de que as empresas estabelecidas cumpram corretamente os instrumentos regulatórios existentes, e também desconfio que as pessoas empoladas e sedentárias dos gabinetes de governo protegem mais as suas mesinhas nas repartições do que o mar, o meio ambiente, as coisas públicas, patético... Informo que, na oportunidade da publicação de meu artigo, enviei um pedido sobre o cumprimento de tais instrumentos no bojo de limitações de carga, seguros, etc e estou aguardando o TOWT responder. Sei que zarparão em breve, se não responderem a tempo, serei o primeiro a publicar que é provável que uma embarcação de recreio anda no mar transnacional em rota ao Brasil possivelmente cometendo vários crimes.
Garanto a você que não solto notícias ao vento sem conhecimento de causa, não sou homem do mar de ambiente climatizado, sou do mar mesmo, e há pouca gente assim no Brasil, infelizmente.
Mais uma vez agradeço os comentários, enviei esta resposta para o seu email e retornou, talvez você tenha colocado um email errado ou errou na digitação, como vou saber...
Peazê
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