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Carro do Google dirige sozinho no tráfego

Especial para o Portal do Lixo Marinho - Publicado em 10/10/2010 14:10

Categoria: Ciência & Tecnologia
Contexto: Negócio & Economia, Meio Ambiente, Comportamento, Automobilismo, Mundo

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Publicado originariamente no New York Times em 9 de outubro de 2010
[Título original] Google Cars Drive Themselves, in Traffic
By JOHN MARKOFF

 

Tradução (e entrevista) por Luís Peazê

 

MOUNTAIN VIEW, Califórnia – Qualquer um que tenha dirigido recentemente nas curvas da Rodovia 1 (Highway 1), entre San Francisco e Los Angeles, deve ter notado um Toyota Prius com um curioso cilindro em forma de funil no topo. Mas difícil foi notar que, na verdade, a pessoa ao volante não estava dirigindo.

Na foto Dmitri Dolgov, engenheiro do Google, testando um carro autônomo nas ruas do Vale do Silício (foto:Rami  Rahimian,NYT ). Ao volante, acompanhando o teste, Dr. Christopher Urmson. Enquanto traduzia este artigo do New York Times, neste domingo outubro 10, a Clínica Literária© conversou por telefone e e-mail com o Dr. Christopher, um dos cientistas de robótica da equipe do Google comandada pelo Dr. Sebastian Thrun, idealizador deste projeto e inclusive do Street View do Google. Como o Dr. Christopher não é autorizado a dar entrevistas, a Clínica Literária© foi orientada a procurar a Imprensa e os Assuntos Internacionais do Google com os quais trocou vários e-mails, durante o domingo, obtendo declarações e informações "on background" e, portanto, não autorizada a citar a fonte ipsis litteris.

 

O automóvel é um projeto do Google, que vinha trabalhando em segredo mas a procura de veículos capazes de auto-condução, utilizando inteligência artificial que pode captar qualquer coisa nas proximidades e imitar decisões feitas por um motorista humano. 

 

Com alguém atrás do volante para assumir o controle, caso ocorra alguma falha, e um técnico no banco do passageiro, para monitorar o sistema de navegação, sete automóveis de teste dirigiram 1.000 milhas (aproximadamente 1850 quilômetros, equivalente a uma viagem do Rio de Janeiro a Porto Alegre) sem intervenção humana e, mais de 140.000 milhas com apenas interferências ocasionais. Um deles até mesmo desceu a Lombard Street, em San Francisco, uma das ruas mais inclinadas e curvilíneas em todo o país. O único acidente ocorrido, informou um engenheiro, foi quando o carro Google ficou de ré ao parar em um semáforo.  

 

Os carros autônomos estão anos de distância da produção em massa, mas os técnicos que sonham há tempos com eles acreditam que esses carros podem transformar profundamente a sociedade, da mesma forma que a Internet a transformou.

 

Por e-mail o Google ratificou à Clínica Literária© que os testes foram feitos em vários lugares da Califórnia, com ênfase na Bay Area, San Francisco, e em Los Angeles. Também deram voltas completas em Lake Tahoe, região montanhosa e conhecida estação de esqui com a divisa de Nevada, no norte da Califórnia e também nas montanhas de Santa Cruz, indo em direção ao sul do estado.

Os engenheiros argumentam que os robôs motoristas reagem mais rápido do que os humanos, possuem percepção de 360 graus e não se distraem, não pegam no sono e não se intoxicam. Eles se referem a vidas humanas salvas e danos físicos por acidentes evitados – mais de 37.000 pessoas morreram em acidentes de automóveis nos Estados Unidos em 2008. Os engenheiros dizem que a tecnologia poderia dobrar a capacidade das estradas, ao permitir que os carros dirijam com segurança mais próximos uns dos outros. Como os carros robôs aparentemente provocariam menos batidas, poderiam ser construídos mais leves, reduzindo o consumo de combustível. Mas, obviamente, para serem verdadeiramente mais seguros, esses carros devem ser muito mais confiáveis, dizem os engenheiros, do que os computadores atuais, que sofrem panes ocasionalmente e são frequentemente infectados.

 

O programa de pesquisa do Google, que utiliza inteligência artificial para revolucionar a indústria automobilística, é a prova de que a ambição da empresa vai alem da dos motores de busca. O programa é também um afastamento da corrente principal de inovação do Vale do Silício (Silicon Valley), que tem se voltado para as redes sociais e ao estilo Hollywood de mídia digital.

 

Na última quarta-feira, em meia hora de locomoção, começando do campus do Google, a 35 milhas de San Francisco, um Prius equipado com uma variedade de sensores e seguindo uma rota programada no GPS do sistema de navegação, agilmente acelerou na pista de entrada do tráfego rápido da rodovia 101, uma auto-estrada que passa através do Vale do Silício.

 

Ele dirigiu a velocidade máxima, reconhecida por ele porque o limite de velocidade de cada estrada é registrado no seu banco de dados, e deixou a auto-estrada várias saídas à frente.

 

De lá o carro dirigiu no tráfego da cidade através de Mountain View, parando para sinais luminosos de trânsitos e placas de sinalização de parada obrigatória, assim emitindo avisos tais como: “aproximando-se de cruzamentos” (para alertar o humano ao volante); ou “dobrar à frente”; tudo através de uma aprazível voz feminina. Dizem os engenheiros que, a mesma voz agradável alertaria o motorista caso um sistema de controle mestre detectasse qualquer coisa errada com os vários sensores.

 

O carro pode ser programado para personalidades diferentes de condução – de cautelosa, na qual se mostrará tendendo a ceder a vez a outros carros, a agressiva, que tenderá ir na frente.

 

A Clínica Literária© perguntou ao Google se os testes feitos em ruas movimentadas excluem interesse da empresa de direcionar o software para sistemas fechados de tráfego, tais como áreas portuárias (de intenso tráfego, repetitivo, oneroso e de intenso risco), grandes plantas industriais, complexos hospitalares e campus, por exemplo. A resposta foi objetiva, isto é, negativa, não intenção do Google com relação a qualquer nicho de mercado em específico, pelo menos neste estágio.

Quem estava ao volante, sem dirigir, era Christopher Urmson, cientista de robótica da Carnegie Mellon University. Para tomar o controle do carro ele teria que fazer uma das três coisas: apertar um botão vermelho com a mão direita, tocar no freio ou virar o volante. Ele tomou uma dessas ações duas vezes: uma quando um ciclista cruzou o sinal vermelho e, novamente, quando um carro parou a sua frente e começou a dar ré para estacionar. Mas o carro robô parece ter previsto sozinho um possível acidente.

 

Quando retornou ao modo “cruzeiro” automático, o carro emitiu um “chiado” significando tendência de dirigir para dobrar, tipo “Star Trek”, e o Dr. Urmson ficou incapaz de descansar suas mãos ou gesticular ao conversar com o passageiro sentado no banco traseiro. Ele disse que o carro atraiu a atenção, mas as pessoas parecem pensar que se trata apenas dos carros para Street View, utilizados para capturar fotos e dados para os mapas Google.

 

O projeto é idéia de Sebastian Thrun, diretor do Laboratório de Inteligência Artificial de Stanford, um engenheiro de 43 anos do Google e co-inventor do serviço de mapeamento Street View .

 

Em 2005, ele liderou uma equipe de estudantes de Stanford e membros docentes no desenho de Stanley, um carro robô, vencedor do segundo Grande Desafio da Agência de Projetos de Pesquisa Avançada, um prêmio de 2 milhões de dólares do Pentágono para direção autônoma em mais de 132 milhas no deserto da Califórnia.

 

Ao lado da equipe de 15 engenheiros trabalhando no atual projeto, o Google contratou mais do que uma dúzia de pessoas, cada uma sem registros negativos em suas carteiras de motorista, para sentarem ao volante, recebendo 15 dólares por hora ou mais. O Google utilizou seis Prius e um Audi TT no projeto.

 

Os pesquisadores do Google disseram que a empresa ainda não tem um plano claro para criar negócios com essas experiências. O Dr. Thrun é conhecido como um promotor apaixonado com o potencial de utilização dos veículos robóticos para transformar as rodovias mais seguras e reduzir os custos de energia do país. De acordo com várias pessoas familiares com o projeto, isto é um compromisso compartilhado por  Larry Page, co-fundador do Google.

 

A Clínica Literária© quis saber se algum teste foi feito ou está planejado para aviões. Não, segundo a fonte. Ainda, respondeu o Google, mesmo que haja a tentação de especular inúmeras aplicações (admitiu) desta nova tecnologia, a empresa considera esta uma etapa totalmente experimental e está focada 100% nos desafios imediatos da robótica e da ciência da computação, isto é, em torno de resolver problemas.

A iniciativa do carro autônomo é um exemplo da disposição do Google de jogar no campo da tecnologia que pode não dar resultado por anos, disse Dr. Thrun. Mesmo as previsões mais otimistas jogam o desenvolvimento dessa tecnologia muitos anos à frente.

 

Uma das formas que o Google pode lucrar é providenciar informação e serviços de navegação para fabricantes de veículos autônomos. Ou, o Google talvez venda ou distribua de graça a tecnologia de navegação, da mesma forma que faz para o seu sistema Android para telefones inteligentes e empresas de telefonia celular.

 

Mas o advento dos veículos autônomos impõe questões legais espinhosas, reconhecidas pelos pesquisadores do Google. Sob a lei atual (dos Estados Unidos), um humano deve estar no controle de um carro durante todo o tempo. Mas o que pode acontecer, se o motorista humano não ficar atento quando o carro, por exemplo, cruzar uma interseção de uma zona escolar, deduzindo que o robô esteja dirigindo com mais segurança do que ele mesmo dirigiria?

 

E, na eventualidade de um acidente, quem seria o responsável – a pessoa ao volante ou o fabricante do software?

 

“A tecnologia está à frente da lei, em muitos anos”, diz Bernard Lu, conselheiro sênior do staff do DMV – Departamento de Veículos Automotivos da Califórnia. “Se você olhar o códigos de veículos, há dezenas de leis pertinentes ao motorista do veículo, e todas elas presumem que um ser humano esteja operando o veículo”.

 

Os pesquisadores do Google dizem que eles examinaram cuidadosamente as regulamentações de veículos automotivos da Califórnia e determinaram que, desde que um ser humano pode interferir em qualquer falha, os carros experimentais são legais. O Sr. Lu concorda.

 

Os cientistas e engenheiros vêm desenhando veículos autônomos desde meados de 1960, mas inovações cruciais ocorreram em 2004, quando o braço de pesquisa do Pentágono começou seu Grande Desafio.

 

O primeiro concurso terminou em fracasso, mas, em 2005, a equipe de Stanford do Dr. Thrun construiu um carro apelidado de Stanley que ganhou uma corrida com um veículo rival construído por uma equipe da Universidade Carnegie Mellon. Em menos de dois anos mais tarde, outro evento provou que os veículos autônomos poderiam dirigir com segurança em lugares urbanos estabelecidos.

 

Avanços vem sendo tão encorajadores que Dr. Thrun soa um evangelista quando fala dos carros robôs. Há o seu potencial de redução de consumo de combustível, pela eliminação das aceleradas e paradas abruptas dos motoristas, e a redução de possibilidades de acidentes, em última análise, a construção de veículos mais leves.

 

A Clínica Literária© perguntou qual o maior desafio, no momento, o que preocupa mais os engenheiros e cientistas do projeto? Seria a adaptação do conceito atual de mecânica dos automóveis com os sensores sofisticados programados por software inédito e inovador? Seriam os ajustes dos sensores com relação a elementos tais como: cores de coisas no exterior, formas, texturas, temperatura, condições do tempo, o sistema tradicional de tráfego, que, mesmo nos Estados Unidos, é antigo? 

 

"On background" o Google preferiu responder que, segundo a percepção da equipe ligada diretamente com o projeto, após avanços conseguidos nos últimos anos, as maiores melhorias têm sido a sofisticação do software e a fusão de tecnologias que sintetiza todos os "inputs", entrada de dados para o sistema de navegação e respostas para tomada de decisão do carro autônomo do Google, e estas serão as áreas onde a empresa continuará concentrando esforços.

 

A Clínica Literária© quis saber por último, quais seriam os próximos testes e se eles seriam nos mesmos lugares, talvez no exterior, ou mesmo em outras cidades dentro dos Estados Unidos, querendo inferir sobre o grau de exposição que o Google estaria pretendendo com o projeto, uma vez que a notícia foi veiculada no New York Times.

 

Segundo a fonte, o Google não tem nenhuma informação para divulgar sobre o futuro do projeto neste momento.

Há inclusive perspectivas de carros que não precisam qualquer pessoa ao volante. Isso permitirá que os carros sejam acionados eletronicamente e as pessoas poderão compartilhá-los. Menos carros seriam necessários, reduzindo a demanda por espaços de estacionamento, que consomem espaço imobiliário valioso.

 

Por último, mas não por fim, os carros poderão proteger os humanos deles mesmos. O Dr. Thrun perguntou em recente palestra:  “nós poderemos, sem culpa, escrever sms duas vezes mais, enquanto o carro dirige sozinho?”

 

Sim, nós poderemos, se os carros realmente puderem dirigir sozinhos. 

 

Há muito tempo que vemos desenvolvimento de tecnologias inovadoras saltarem dos filmes de ficção. Esta dos carros Google é uma delas e traz inúmeras perspectivas de melhorias para a sociedade, assim como assinala para um futuro sobre o qual temos cada vez menos controle, mesmo que ele se torne realidade de uma hora para outra, ou no espaço de poucos anos, como foi a chegada da Internet e a enxurrada de modismos, novos comportamentos e problemas de toda sorte com que estamos lidando enquanto lemos estas notícias.

 

Mergulhar no corpo humano, por dentro de nossas veias e até fisicamente do cérebro, já não é mais novidade. Estamos explorando cada vez mais o espaço celestial. Mas, pelo menos não temos lido notícias, sobre nosso intrincado sistema nervoso e do pensamento, sem ir muito além na alma. Parece estarmos marcando passo. O que isso representará para o futuro? Eis uma questão que a Clínica Literária© gostaria de saber a partir do leitor.

 

Utilize a coluna CidadãoNews e colabore para o debate.


 



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