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Atenção Guarda Costeira: Aventureiros à vista!

Luis Peazê - Publicado em 19/02/2012 13:02

Categoria: Meio Ambiente
Contexto: Negócios & Economia, Transporte Marítimo

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Dando continuidade à aventura do veleiro Irene, divulgada aqui em 10/02/2012 Carregamento zarpa pelo mar, à vela. Novos tempos  chamamos a atenção da Guarda Costeira Brasileira, marítima e aérea, para alguns pontos importantes. O que? Não temos Guarda Costeira marítima nem aérea? Ah é, eu esqueci deste detalhe, mas vou chamar atenção de alguns pontos importantes mesmo assim, quem sabe alguém pegue esta mensagem jogada ao mar.

Repetindo mais uma vez que o termo “aventura” é utilizado pela Marinha Mercante para cada travessia de um navio cargueiro (petroleiro, contêiner, grãos, RORO “roll-on-roll-off”), os próprios juízes de tribunais marítimos abusam do uso da palavra em suas sentenças, e cidadãos comuns tendem a lembrar da palavra pelo seu “estigma” romântico, que infere indivíduos estimulados pelo senso de liberdade e, em muitos casos, irresponsabilidade. Uma pena, porque as pessoas não deveriam sonhar com aventuras como se fosse um empreendimento de privilegiados e destemidos...

 

Esta aventura do Irene, veleiro que zarpou semana passada de Plymouth, Devon, Inglaterra, fez uma aterragem em Brest, França, em seguida carregou azeite de oliva na Espanha e zarpou para derramar este azeite no Brasil.

 

A rota do arranjo comercial que provocou o planejamento desta rota marítima, contudo, foi a seguinte: Jamie Pike, um aventureiro do ramo de música local nas vizinhanças de Londres, aventureiro também de projetos sustentáveis, e apologista do movimento Slow Food (não sei como é que ele faz isso tudo devagar), encontrou-se com o Capitão do veleiro Irene, Laurance Ottley, que por sua vez tinha um contato no Brasil, no ramo de azeite de oliva, e introduziu Jamie ao Capitão Leslie Morrish, restaurador e dono do Irene que, após conhecer os planos de Jamie, aceitou arrendar o barco para transporte de carga e bandeira ecológica. Aí é que começou a aventura, em todos os sentidos, através da empresa de Jamie a New Dawn Traders.

 

Jamie havia tido uma experiência de transportar mercadorias em um veleiro, do Brasil para a Inglaterra, e muita coisa saiu errado, problemas a bordo, acidentes de percurso, ossos quebrados do ofício, etc e ele retornou para a Inglaterra frustrado e com um vírus inoculado. O de utilizar o transporte marítimo para levantar a bandeira de práticas ecológicas livres de emissões poluentes e do Slow Food, um movimento mundial contrário à proliferação do fast food (McDonalds, congelados e correlatos) que defende a ecogastronomia, onde até o ambiente de alimentação, visual, textura e atmosfera são defendidos como fundamentais. E não são?

 

Isso tudo em menos de um ano pegou fogo, o fogo do gosto pela aventura. Primeiro e segundo carregamentos da rota transatlântica de ida e volta completos.

 

Uma vez que começaram a travessia do Atlântico em direção ao Rio de Janeiro, enquanto escrevo, muitas perguntas devem ser jogadas ao mar, para quem possa interessar, já que não temos guarda costeira aérea nem marítima, nem para socorrer esses aventureiros, quando chegarem em nossas águas, nem para fiscalizar se estão fazendo tudo direitinho conforme manda os manuais e leis que regem o transporte marítimo, uso e manejo do mar.

 

Guarda Costeira do Brasil já!

 

Obviamente que, se acontecer algum problema que demande resgate em alto mar em nossas águas jurisdicionais, temos um sistema em funcionamento, a nossa Marinha de Guerra será acionada, uma de suas fragatas carcomidas zarpará com um Comandante-de-Mar-e-Guerra ao timão, tripulação de tenentes e sargentos a postos, armas em punho, apito pra lá apito pra cá – só quem já esteve numa embarcação da Marinha de Guerra sabe o quanto se apita dentro do navio, para a hora de tomar café, para troca de turnos e para receber o Capitão a bordo, é apito e posição de sentido pra caramba – nossos aventureiros serão resgatados e o Jornal Nacional vai contar tudo, como no cinema.

 

A primeira pergunta que jogamos ao mar aqui é: quando teremos uma Guarda Costeira? Defendo a idéia de que ela deva ser tão profissional quanto a própria Marinha do Brasil, tem que nascer no seio da MB, pelas barbas de Netuno que não seja da cabeça da Polícia Federal, Corpo de Bombeiros ou outro órgão metido a homem rã...

 

Este observador fez uma pergunta chave a um dos membros da tripulação do Irene, Guillarume Le Grand, criador da Trans Oceanic Wind Transport - TOWT, que vem a ser um sócio de Trade, digo, de negócios, da empresa de Jamie Pike, ambas criadas para transporte de carga à vela pelo mar (nenhuma possui embarcação própria). Perguntei quais as limitações de carga do veleiro arrendado e sobre os requisitos legais e de segurança, incluindo seguro de carga. A resposta veio curta e fina, pálida e mareada...

 

“Luis, Sorry about the delay. I have busy working with Irene these last couple of days. Limitations of cargo : 30 tons Regulatory and insurance documents are all OK.“ Tradução: “Luis, sinto muito pelo atraso. Estava ocupado trabalhando no Irene nos últimos dois dias. Limitação de carga: 30 toneladas. Documentos regulatórios e de seguro estão todos OK”.

 

Considerando que seja uma aventura tresloucada, a resposta é suficiente. Considerando que seja uma aventura responsável, faltam muitas palavras na resposta.

 

As boas práticas marítimas e a vagina das flores

 

Estou curioso para saber como a tripulação de 12 pessoas do Irene conviverá com uma carga de 30 toneladas, posto que um carregamento de 9000 garrafas de cerveja artesanal partiu de Bristol para a França embarcado no salão do Irene. Onde e como uma carga de 30 toneladas seria alojada, devidamente segura, contra o balanço das ondas e humores do mar e dos ventos, nem sempre alísios?

 

Fiquei curioso também sobre o descarte de resíduos sólidos e líquidos poluentes, se há um manual a bordo, já que nem toda a tripulação são de ‘homens e mulheres do mar”, a metade é de marinheiro de primeiríssima viagem, jovens aventureiras, sim, há meninas inexperientes na tripulação.

 

Por fim, embora não seja da minha conta, fiquei curioso com relação às questões alfandegárias, de entrada de produtos no Brasil, e de saída, pois o Jamie Pike declarou em Londres que pretende levar cachaça e produtos amazônicos na viagem de retorno à Inglaterra.

 

Bem, no mar tudo é meio devagar. Mesmo que hoje em dia você tenha o luxo de Internet, nem sempre é fácil uma conexão e principalmente alinhar as rotinas e ritmo a bordo com a utilização de um computador. Então vamos aguardar e torcer para que a aventura do Irene seja bem sucedida em todos os aspectos. Na medida do possível, vamos acompanhá-los.

 

E por favor, se você leu até aqui e está incomodado com a aventura, pelo seu estigma negativo, lembre que por trás das palavras há muitos significados que não percebemos por pré conceito. Estigma, por exemplo, tanto pode referir-se às chagas de Cristo que aparecem em certas pessoas, quanto as vias respiratórias de aracnídeos e, prepare-se, vagina. Calma, vagina das flores, a parte inicial do pistilo das flores, onde o grão de pólen inicia a germinação.

 

Mais uma S/A para explorar nossas Índias

 

Por falar em flores, quando a febre era buscar o caminho das Índias pelo Atântico (hoje aquelas “Índias” são a Ásia), no início de 1600, um holandês, Dirck Bas Jacobsz, teve a idéia de pedir para a população comprar uma parte do empreendimento em troca de distribuição de lucro. Era uma aventura marítima cara, perigosa e, portanto, arriscada para um só investidor colocar seu dinheiro na reta. Foi assim que surgiu no mundo a sociedade anônima por ações e a expressão “piece of action”, esta última eternizada mais recentemente em filmes de gangsters de Hollywood.

 

Cada pessoa teria uma parte nas ações da Dutch East India Company a primeira S/A do mundo (1602), que fez inúmeras aventuras através do Atlântico por baixo do Cabo da Boa Esperança, e, ao passar por aqui, os holandeses gostavam tanto de nossas índias que iam ficando. Muitos olhos verdes que povoam Pernambuco e redondezas hoje em dia são a prova.

 

Este empreendimento do Jamie Pike e tripulação guarda semelhanças, a diferença é que ele vende as ações da idéia de salvar o planeta, incluindo, como foi revelado anteriormente, o transporte de cachaça e produtos amazônicos. Isso é que é aventura.

 

Falando nisso, dizem livros de história que a primeira Companhia do mundo foi fundada na Inglaterra, ao contrário de ter sido na Holanda, justamente em Plymouth, onde está registrada a New Dawn Traders do Jamie. Os ingleses estão sempre reivindicando o começo de tudo. Só falta o mundo NÃO acabar em 2012 e os ingleses se declararem os responsáveis pela preservação planetária, no próximo evento mundial sobre ecologia global Rio20+.

 

Detalhes da embarcação IRENE:
Ship Type: Pleasure Craft
Length x Breadth: 34 m X 6 m
Speed recorded (Max / Average): 5.5 / 5.4 knots
Flag: United Kingdom [UK] 
Call Sign: MCQW
IMO: 0, MMSI: 235085663

 

 

Conheça esta novidade: Alvídia - Um Horizonte a Mais com autógrafo digital exclusivo.

 


15 anos depois em eBook, Alvídia – Um Horizonte a Mais, de Luís Peazê, com a novidade: autógrafo digital exclusivo para cada leitor.

CLBR-PRN-20120112  12 de janeiro de 2012  07:30 HORA LOCAL

 

Rio de Janeiro, 12 de janeiro de 2012 – Celebrando 15 anos da aventura e 12 anos do lançamento do livro, Luís Peazê lança no formato ePub e Kindle, o eBook do Alvídia – Um Horizonte a Mais, com uma novidade:

 

Obedecendo à regra de que em casa de ferreiro o espeto é de pau, somente após todo esse tempo, Peazê incluiu entre suas demandas externas o lançamento de Alvídia – Um Horizonte a Mais na versão eBook, nos formatos ePub e Kindle, e, aproveitando as facilidades dos dispositivos digitais de leitura viabilizarem publicações coloridas sem encarecê-las, Alvídia vem com fotos selecionadas pelo autor. Adicionalmente com uma inovação: Alvídia ebook tem autógrafo digital exclusivo para cada leitor que adquiri-lo pelo site da Clínica Literária www.clinicaliteraria.com.br

 

comprar pelo PagSeguro, após efetuar a compra, por favor, envie email para o autor indicando o nome para a dedicatória, seu ou de quem você presenteará.

Alvídia foi lançado em 2000, e narra a aventura de um casal de brasileiros que decide “largar tudo” para construir com as próprias mãos o sonho de um barco a vela, e se lançam em mares dos mais perigosos do mundo, tudo sem experiência prévia. Peazê e sua mulher, a cientista social Helga Leal, saem do sul da Austrália e percorrem mais de 8000 milhas durante 22 meses vivendo a bordo, sem patrocínio e no anonimato, quer dizer, segundo o autor,  “colecionando amizades com anjos de carne e osso”.

 

comprar pelo PayPal, após efetuar a compra, por favor, envie email para o autor indicando o nome para a dedicatória, seu ou de quem você presenteará.

O tradutor americano de Alquimista, de Paulo Coelho, Mr. Alan Clarke diz: “Alvídia é um dos melhores livros em português que eu já li. Captura a atenção e o interesse do leitor de uma forma incomum”. Com a sinopse e o primeiro capítulo de Alvídia traduzidos para o inlgês, por John Hemingway, neto de Ernest Hemingway, de quem Peazê é tradutor (Por Quem os Sinos Dobram, Ed. Record), foi recentemente sondado por um produtor de Hollywood para um longa metragem. Narrado em espiral, estilo do autor, Alvídia surpreende a cada parágrafo, faz rir e emociona, nas palavras do próprio, “uma aventura diária necessária”. 

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